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Calagem de Solo

A calagem é uma das principais ações para corrigir pH, diminuindo a acidez do solo e melhorando a fertilidade pelo fornecimento de cálcio e magnésio para as plantas, aumentando a Capacidade de Troca Catiônica( CTC), além de potencializar o aproveitamento de nutrientes pelas plantas.

No entanto, a calagem vai muito mais além do que a correção da acidez, ou seja, aumentando o pH (5,5 a 6,5 ideal), fazendo-se necessária por outros motivos, tais como: aumentar a disponibilidade de cálcio e magnésio, elementos fundamentais  ´para o crescimento das raízes, proporcionando o aumento da absorção de água e dos nutrientes presentes no solo; reduzindo os efeitos tóxicos do manganês e do alumínio, que afetam negativamente o enraizamento das plantas; melhorando as propriedades físicas do solo e auxiliando na redução da compactação do solo e por fim, contribuir favoravelmente para a manutenção e proliferação da microbiota benéfica do solo, assim como melhorando os níveis de matéria orgânica no solo, além de fazer grande diferença na produtividade final, melhorando o retorno financeiro da lavoura.

Procedimento estratégico

A realização da calagem é um procedimento estratégico para o plantio e que deve ser feito com bastante cautela, quando houver necessidade, declinada no resultado da análise do solo, para tanto, algumas etapas antecedem a efetiva aplicação do calcário, tendo como primeiro passo o planejamento, tendo em vista que  o mesmo deve ser aplicado com antecedência de 03 meses (90 dias), do plantio, distribuído a lanço e incorporado de forma uniforme ao solo, na profundidade de 17 a 20 cm, seguido de aração e gradagem. Já no sistema de plantio direto, a aplicação é feita na superfície sem incorporação.

Sendo a coleta da amostra do solo para análise a primeira etapa, logo após a colheita de verão, que diga-se de passagem, é fundamental para que o produtor conheça as carências e as potencialidades do solo, a necessidade de correção, adubação e as respectivas recomendações (tipos) e  quantidades, para  atender a necessidade da cultura e dar os resultados esperados.

Portanto, a análise vai proporcionar também que o produtor evite ou minimize despesas com calcário e adubo, quando houver necessidade de correção  e de fertilizantes, como também evitando produtividades baixas. Especialmente, quando se sabe que 69 % dos solos brasileiros são caracterizados pela elevada acidez, baixa soma de bases e baixa CTC( Fidalgo et al., 2007).

No Maranhão não é diferente, e com uma agravante: além de não existir um Programa Estadual de Análise e Conservação do Solo, como tem no Rio Grande do Sul (RS), Paraná (PR) e Santa Catarina (SC), nossos produtores, especialmente os pequenos e médios, não têm a oportunidade e o cuidado de fazer Análise de Solo. Mas o Sebrae tem, e o Sindicato Rural de Mirador, lançou o Programa Análise de Solo em parceria com o Sebrae, onde a parceria vai bancar 80%(70% Sebrae e 10% Sindicato), cabendo ao produtor apenas 20% dos custos da análise química e física do solo.

 A segunda etapa, pouco antes do preparo do solo para culturas anuais e após o fim das chuvas para culturas perenes.

Pela análise de solo sabe-se qual o tipo de calcário escolhido, tendo como parâmetro os níveis de pH, com mais ou menos magnésio, mais ou menos cálcio, varia de acordo com a exigência da cultura e do calcário disponível. No calcário, o produtor deve atentar ao poder de neutralização (PN), a reatividade do corretivo (RE), os quais definem o PRNT (Poder Relativo de Neutralização Total), externada na própria embalagem do produto. No entanto, se houver dúvidas entre dois calcários com o mesmo PRNT, opte por aquele que possuir maior PN, considerando que o PN representa a porção do calcário que tem capacidade de reagir no solo, corrigindo sua acidez.

Existem vários tipos de calcário, dentre os quais destacam-se:

calcário da rocha calcária, dividido em calcário filler; calcário magnesiano(10% de Mg e 25% de cálcio); dolomítico( Mg acima de de 25% e teor de cálcio menor); e calcítico, teor de MgCO3 abaixo de 10% e teor de cálcio maior. Além dos acima citados, temos a cal virgem; a cal hidratada; o calcário calcinado; escória básica de siderurgia(subprodutos da indústria de aço e do ferro) e por fim o carbonato de cálcio, originário de conchas de moluscos, corais marinhos, cuja ação no solo, lembra à do calcário da rocha calcária.(Fonte Aegro).

*Luiz Coelho Júnior
Engenheiro agrônomo;
integrante do Fórum N-NE Biogás/MA e Presidente do SindRural Mirador.