Grupo com 23 produtores apresenta crescimento produtivo, estrutura certificada e avanço no acesso a mercados
Viana (MA) – A apicultura no município de Viana vem consolidando avanços expressivos a partir da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), com resultados que impactam diretamente a produtividade, a organização da atividade e a geração de renda dos produtores.
Os dados foram apresentados durante a reunião mensal da Associação de Apicultores de Limoeiro, Ibacá de Coaçuzinho e Adjacências (APLICA), realizada no povoado Limoeiro, reunindo produtores, técnicos e instituições parceiras.
Com 23 produtores assistidos e acompanhamento iniciado em julho de 2024, o grupo já alcança a 22ª visita técnica, evidenciando a continuidade e consistência da metodologia aplicada no campo.
Entre os principais avanços está a evolução da produção. Na última safra, o grupo saiu de 15 para 23 toneladas de mel, um crescimento superior a 50%, resultado da adoção de práticas de manejo mais eficientes, organização produtiva e acompanhamento técnico contínuo.
Além do aumento da produção, os produtores também avançaram na estrutura da atividade. A associação conta hoje com uma casa de mel equipada e certificada com Serviço de Inspeção Municipal (SIM) e Serviço de Inspeção Estadual (SIE), permitindo beneficiamento adequado e acesso a novos mercados.
Com essa estrutura, o grupo já se organiza para ampliar a comercialização, inclusive com participação em programas institucionais, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
Para o presidente da APLICA, Carlos Henrique Mendonça, a evolução é resultado de um processo coletivo de organização. “Saímos de uma produção mais simples para um sistema estruturado, com certificação e aumento significativo da produção. Hoje já buscamos novos mercados e avançamos na comercialização”, destaca.
O coordenador regional da ATeG, Edvaldo Franco, reforça que o crescimento também está associado às condições naturais da região. “A Baixada Maranhense tem um ecossistema único, com floradas nativas e áreas de mangue que favorecem a produção de um mel diferenciado e de alto valor agregado”, explica.
Já o supervisor de campo da ATeG, Giovanne Oliveira, destaca o impacto da assistência técnica na evolução do grupo. “A atividade já existia, mas a assistência técnica trouxe organização, melhoria no manejo e aumento da produção e da renda dos produtores”, pontua.
A técnica de campo responsável pelo acompanhamento do grupo, Maria da Conceição Barbosa de Sousa, ressalta que a mudança está diretamente ligada à gestão da atividade. “Os produtores passaram a trabalhar com mais planejamento, controle e visão de negócio. Isso refletiu no aumento da produtividade e na estabilidade da produção, mesmo em períodos mais desafiadores”, afirma.
Os resultados também são evidentes nas propriedades. Um dos exemplos é o produtor Leosvaldo Mendonça dos Santos, que ampliou seu apiário de cerca de 24 para mais de 80 colmeias, alcançando produção anual de aproximadamente 2,6 toneladas de mel — desempenho que contribuiu para a conquista do 1º lugar no Prêmio ATeG 2026 na categoria Apicultura.
Para o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Viana, Marcelo Seixas Abreu, o avanço da apicultura no município reflete a atuação integrada das instituições. “Essa parceria tem levado assistência técnica ao produtor e gerado resultados concretos no campo, com aumento de produção e melhoria da renda”, destaca.
O presidente em exercício do Sistema Faema, Carlos Antônio Feitosa, reforça que os resultados observados em Viana representam o impacto da metodologia aplicada. “Quando o produtor tem acesso ao conhecimento e aplica as orientações, ele melhora sua produção, ganha eficiência e aumenta sua renda. É assim que a assistência técnica transforma realidades”, afirma.
Durante a programação, também foi realizada a entrega do Prêmio ATeG 2026 – categoria Apicultura, reconhecendo resultados individuais dentro de um processo coletivo de desenvolvimento.
Para a técnica de campo Maria da Conceição Barbosa de Sousa, o cenário é de crescimento contínuo para a atividade na região. “Eu tenho certeza que os apicultores aqui ainda têm muito a crescer. A gente já avançou bastante, mas ainda vem muita evolução pela frente. Temos potencial para nos tornar uma das principais regiões produtoras de mel do Maranhão”, projeta.