Evento reuniu produtores, técnicos e lideranças para apresentar os resultados do programa no município, que já atendeu 96 pessoas e acompanhou 31 famílias na zona rural, levando orientação em saúde
O Programa Saúde no Campo, iniciativa conjunta da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Maranhão), completou um ano de atuação no município e apresentou os resultados de sua primeira etapa durante o 1º Benchmark Saúde no Campo, evento realizado para reunir produtores, técnicos e lideranças locais em torno dos avanços conquistados: 25 propriedades acompanhadas, 31 famílias participantes e 96 pessoas assistidas, com uma média de 65 atendimentos por mês.
Os números, no entanto, contam apenas parte da história. Por trás de cada indicador está uma rotina que se transformou, de produtores que aprenderam a monitorar a própria pressão arterial a produtores que reduziram o consumo de cigarro e álcool com o apoio constante da profissional de saúde em sua casa.
Os indicadores de saúde reforçam o alcance do trabalho: 20 consultas médicas e 16 exames laboratoriais foram realizados, 12 famílias mantêm acompanhamento regular na unidade de saúde e 17 aderiram corretamente ao tratamento medicamentoso.

Para a coordenadora de saúde e promoção social do programa, Yolanda Gomes, a educação em saúde é o caminho mais eficaz de mudanças de hábito.
“Quando pensamos em Saúde no Campo, sabíamos que não bastava levar informação, era preciso levar presença. O produtor rural, muitas vezes, coloca a própria saúde em último lugar porque a rotina de trabalho não dá espaço para isso. Ao levarmos orientação até a porta de casa, quebramos essa barreira e mostramos que cuidar de si também é cuidar da propriedade e da família. Os números deste primeiro ano são a prova de que esse cuidado próximo funciona, mas o que mais nos orgulha é ver famílias inteiras mudando de hábito, produtores recuperando a autoestima e comunidades criando vínculo de confiança com nossos profissionais”, afirma Yolanda.
A adesão das comunidades ao programa também foi destacada pelo presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Humberto de Campos, Ismael da Silva, que acompanhou de perto a chegada da iniciativa às comunidades do município.
“O Sindicato sempre defendeu que o produtor rural precisa de assistência que vá além da porteira da propriedade. Saúde é produtividade, qualidade de vida, é permanência no campo. Nosso compromisso, como sindicato, é seguir apoiando essa parceria com a CNA e o Senar para que cada vez mais famílias rurais de Humberto de Campos tenham esse cuidado garantido”, declara Ismael.
Histórias que confirmam os números
Os relatos de quem vive a experiência diretamente ilustram o impacto do programa. Pedro Rodrigues da Silva, morador da comunidade Vila São João, conta que a rotina de caminhadas adotada após a chegada do programa trouxe melhora significativa em sua saúde e bem-estar, incluindo perda de peso.
“Atualmente, contamos com a presença mensal da enfermeira em nossas residências, que nos auxilia e orienta constantemente, o que trouxe melhorias significativas”, afirma Pedro.
Já Antônio Pereira dos Santos, do povoado Mato Grosso, destaca o trabalho da enfermeira e técnica em saúde rural Hérica Vaz, responsável pelo atendimento na região.
“Após o início do trabalho da enfermeira Hérica, através do Programa Saúde no Campo, houve uma melhoria significativa. Hoje, sentimos mais segurança e à vontade, visto que os profissionais de saúde estão presentes em nossa própria comunidade. Sou muito grato pelo excelente trabalho da enfermeira, cuja dedicação e profissionalismo estabeleceram um vínculo de confiança com a nossa comunidade. O impacto do programa em minha comunidade foi notável.”, afirma Antônio.
A própria técnica em saúde rural, Hérica Vaz, relata que a mudança mais marcante do primeiro ano foi no olhar dos produtores sobre a própria saúde.
“Eu percebi principalmente uma mudança na forma como os produtores passaram a olhar para a própria saúde. Muitos começaram a se cuidar mais, fazer consultas e exames, acompanhar a pressão e a glicemia e também mudar alguns hábitos, como melhorar a alimentação, beber mais água e praticar atividade física. O caso que mais me marcou foi o de um produtor que fazia uso frequente de álcool e chegava a fumar até 20 cigarros por dia. Ainda estamos nesse processo de acompanhamento, mas já conseguimos uma mudança muito significativa: ele reduziu o cigarro para cerca de 6 por dia e parou de beber. Para mim, acompanhar essa evolução é muito gratificante porque não é fácil tratar um vício, e com orientação é possível adquirir bons resultados. Acredito que conseguimos aproximar o cuidado em saúde da realidade do produtor, criando um vínculo e mostrando que cuidar da saúde é algo de extrema importância”, afirma Hérica.
Reconhecimento aos produtores destaque
Encerrando o balanço do primeiro ano, o programa reconheceu os produtores que mais seguiram as recomendações da técnica em saúde Herica Vaz: Pedro Rodrigues, Maria Marta (que representou Arlindo da Silva Santos) e Antônio Pereira. Os três foram destaques nos avanços como prática regular de atividade física, consultas e exames em dia, melhora na alimentação e uso adequado de medicação.
O 1º Benchmark Saúde no Campo cumpriu o papel de transformar números em memória coletiva: cada indicador apresentado tinha um rosto, uma comunidade e uma história de mudança por trás das 25 famílias assistidas pelo programa. Deixando claro que o maior resultado do programa não está apenas nas planilhas, mas na forma como produtores como Pedro, Antônio e Arlindo passaram a enxergar o próprio cuidado como parte do trabalho no campo.