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Panorama da bovinocultura maranhense e os desafios da administração rural

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O cenário da bovinocultura maranhense vem,  ao longo dos anos, se consolidando no mercado nacional, principalmente pelos constantes avanços  experimentados nas técnicas modernas de  manejo do rebanho. Constituído de aproximadamente 7.758.352 cabeças (IBGE-PPM, 2014), das quais 90% giram em torno da pecuária de corte, o Maranhão eleva-se ao patamar de segundo maior rebanho do Nordeste, atrás apenas da Bahia.

Ainda que a atividade seja permeada de fatores pouco favoráveis a um crescimento mais vigoroso, algumas variáveis como as políticas governamentais de desenvolvimento do setor primário no estado, o reconhecimento internacional através da World Organisation for Animal Health (OIE- Organização Mundial de Saúde Animal) como zona livre da febre aftosa com vacinação, a abertura do Porto do Itaqui para exportação de gado em pé e instalação de agroindústrias e empresas do setor agropecuário, têm fortalecido cada vez mais a cadeia produtiva do estado e contribuído para um panorama de vislumbre promissor, mesmo à longo prazo.

Frente ao panorama de certo modo  favorável ao crescimento da bovinocultura maranhense, diversos setores públicos e privados têm investido no ramo agropecuário, atraindo assim os olhares também de investidores de outros estados e até mesmo outros países. Além de compor o MATOPIBA, última fronteira agrícola do país, pela sua localização geográfica, clima e solo, o Maranhão é, sem sombra de dúvida, uma referência para o  setor agropecuário regional e em casos particulares para o nacional.

Atividade

Contudo, na contramão deste cenário favorável de crescimento, recentes estudos têm demonstrado que a falta de gestão das propriedades rurais é o grande gargalo para a permanência de produtores na atividade. Com o mercado cada vez mais competitivo e exigente, os produtores precisam se adequar a essa ferramenta, outrora relegada ao esquecimento, mas que, atualmente, tornou-se imprescindível para a permanência dos mesmos no setor. Em outras palavras, a atual conjuntura econômica não permite amadorismo no setor produtivo rural, seja ele qual for.

A gestão  técnica e econômica da propriedade rural é fator limitante para a permanência em longo prazo na atividade. Essa ferramenta de gestão administrativa da propriedade rural no Maranhão é geralmente negligenciada e quando presente, é precária.  Se faz evidente muito mais no ramo da agricultura e na cadeia produtiva do leite, embora  com desenvoltura  quase sempre insatisfatória ou incompleta.

Com base no perfil delineado para o setor, a pecuária moderna consoante às flutuações econômicas de mercado, exige produtores cada vez mais capacitados não só na área de produção como também no foco gerencial da propriedade, aliando a otimização do produto ao ótimo econômico, tornando assim a atividade mais rentável e lucrativa. Neste contexto surge a assistência técnica e gerencial, interface esta capaz não só de promover o desenvolvimento produtivo, mas avalizar a viabilidade econômica da atividade, a qual a Federação de Agricultura e Pecuária do  Estado do Maranhão (Faema),  por intermédio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MA), vem desenvolvendo  em toda a abrangência do Estado de forma exitosa.

Cabe aqui, registrar ainda, que nos últimos três anos tem havido uma forte atuação  no sentido de promover a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) em propriedades rurais do Maranhão, tais como o Projeto MAPITO desenvolvido em parceria com o Sebrae, que levou assistência técnica a mais de 1000 propriedades na região do  Médio Sertão Maranhense, alavancando substancialmente a produção e  renda dos produtores locais, envolvidos no projeto.

A metodologia de ATeG do Senar tem demonstrado resultados satisfatórios em todo o país, a ponto de atrair investimentos estrangeiros como o  do Banco Mundial, que recentemente, em parceria celebrada entre o Mapa, Embrapa e Senar está capacitando e assistindo produtores rurais em tecnologias de agricultura com baixa emissão de carbono (Programa ABC), tendo o Maranhão, neste caso, sido contemplado com 400 propriedades rurais que serão assistidas tecnicamente durante 18 meses.

O governo do Estado do Maranhão em parceria com o Senar-MA levarão a metodologia de ATeG para mais de 1500 propriedades rurais de todo o estado, em diferentes cadeias produtivas, contribuindo assim, de forma significativa para o crescimento e desenvolvimento do setor, através do Programa ‘Mais Produção’.

 

Edvaldo Franco Amorim Filho
É médico veterinário, Mestre em Ciência Animal e supervisor técnico Regional/SENAR-MA.