Indústria paraguaia fundada por brasileiro terá oportunidades para o agro no cerrado sul maranhense

Criada pelo brasileiro José Lopes, maior indústria de transformação de milho e renováveis da América Latina planeja processar mais de 1 mi de toneladas de cereais por ano no Maranhão.

Entidades empresariais mobilizadas devem se reunir novamente no próximo dia 14, em Balsas, para debater ações de apoio ao projeto de instalação da unidade de indústria de etanol de milho.

“Esse é o maior investimento recebido no Maranhão, nos últimos anos, e deve atrair ainda uma série de novos investimentos que vão incrementar a nossa economia e a geração de empregos”, comemorou o secretário de estado da Indústria e Comércio, Júnior Marreca, durante reunião de trabalho realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão para apresentar as oportunidades e demandas oriundas da instalação de uma unidade da Inpasa em Balsas, no cerrado sul maranhense.

A empresa, fundada em 2008, na cidade de Esperança, no Paraguai, é a maior indústria de transformação de milho e renováveis da América Latina, e processa anualmente 7,5 milhões de toneladas de milho, transformado em etanol, óleo premium, energia elétrica e DDGS (grãos secos de destilaria), que é um subproduto da produção do etanol, obtido através da fermentação do amido de grãos de milho. 

De acordo com o gerente corporativo de suprimentos da Inpasa Brasil, Thiago Mattos de Sousa, no ano passado, a indústria produziu 3,5 bilhões de litros de etanol de milho e gerou mais de 3.800 MW de energia renovável. “Para a nossa planta a ser instalada em Balsas estão programados investimentos de R$ 1,2 bilhão na primeira fase, de instalação, e R# 2,5 bilhões na segunda fase, de operação”, anunciou, informando que planejam iniciar as obras de instalação já em janeiro de 2024 e a operação a partir de janeiro de 2025.

Presidente da FAEMA, Raimundo Coelho, confirmou que a instituição vai intensificar ações de capacitação e assistência técnica e gerencial nas propriedades rurais que exploram a cadeia produtiva de grãos na região.

No Maranhão, a indústria espera processar um milhão de toneladas de cereais por ano, para serem transformados em 230 mil ton/ano de DDGS, 23 mil ton / ano de óleo premium, 460 milhões de litros/ano de etanol e 200 GWH de energia elétrica renovável.

“Entre os nossos grandes desafios aqui no estado estão: desenvolver o cultivo da segunda safra de milho e outras culturas, como o sorgo; fomentar o uso da proteína vegetal proveniente da transformação de cereais; desenvolver a cadeia de fornecimento de biomassa; estimular o consumo de etanol e desenvolver a cadeia de suprimentos e mão de obra no estado”, apresentou o executivio Thiago Sousa.

A gerente corporativa de Desenvolvimento Organizacional e Atração da indústria, Adriane Viana, informou que atualmente empregam diretamente 2 mil pessoas na América Latina, e que serão abertas cerca de 350 vagas diretas para a unidade de Balsas. “Na fase de operação vamos precisar de mão-de-obra especializada, tanto para o nosso time quanto para os serviços que vamos contratar de forma terceirizada. Por isso, é fundamental a parceria com o Sistema S e demais instituições que possam preparar profissionais e fornecedores que possam atender as nossas demandas”, afirmou.

Oportunidades para o agro – Entre as oportunidades apresentadas para futuros fornecedores da indústria latina destaca-se a demanda por produtos agrícolas, especialmente o milho e matérias-primas para biomassa. “Queremos incentivar os produtores locais a cultivarem as duas safras do milho, pois vamos comprar toda a produção disponível na região”, prometeu Thiago Sousa.

Ele esclareceu que a empresa não tem planos de manter uma produção própria e sim fomentar e absorver a produção local.

Reunião que apresentou as oportunidades aconteceu na sede da FIEMA, em parceria com o governo do estado.

Raimundo Coelho, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão – FAEMA, comprometeu-se a contribuir com o projeto por meio da oferta de assistência técnica e gerencial para propriedades rurais que queiram aumentar a produtividade de suas lavouras, com manejo sustentável e aplicação de tecnologias de custo acessível. “Vamos intensificar as ações na região para garantir que os produtores rurais locais possam aumentar sua produtividade e faturamento com as oportunidades que virão. Além da assistência técnica, planejamos outras ações de capacitação técnica, e formações de educação rural que oferecerão aos jovens da região oportunidades para carreiras bem sucedidas no agro”, explica o presidente.

As lideranças empresariais e equipes técnicas envolvidas devem se reunir novamente no dia 14 de novembro, em Balsas, para fechar o planejamento de trabalho e ações a serem executadas para apoiar o planejamento de implantação e operação do projeto da Inpasa no Maranhão.