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Senar realiza encontro nacional de superintendentes

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Na pauta, as ações da entidade nos Estados e novos caminhos para atender melhor o produtor rural

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) reuniu 26 superintendentes regionais para alinhamento das ações desenvolvidas em todo o Brasil e para repensar o papel da entidade, diante das mudanças legais e políticas que acontecem no País. O encontro de dois dias aconteceu em uma fazenda, de Alexânia (GO), a menos de 100 km de Brasília.

“As instituições brasileiras estão muito fragilizadas e o nosso Sistema tem demonstrado força, seja pela característica das nossas lideranças,  seja pela contribuição da agropecuária  à economia. Todas essas incertezas políticas e reformas nos fazem repensar o futuro” destacou Daniel Carrara, Secretário Executivo do Senar, que coordenou o encontro.

Para estimular os gestores na busca de novos caminhos e atender ainda melhor o produtor rural foram realizadas dinâmicas e apresentadas iniciativas inovadoras de Regionais, além de muita conversa sobre as ações do SENAR nos Estados.

Quase 100 polos de ensino técnico gratuito

O Senar fez parceria com o Ministério da Educação e passou a oferecer, a partir de 2015, o curso Técnico em Agronegócio, que conta com uma rede de 98 polos de apoio presencial, em 24 estados. “Já contabilizamos 63.095 candidatos inscritos, desde o lançamento, para as mais de 11 mil vagas ofertadas”, informou o chefe do Departamento de Inovação e Conhecimento (DIC), Luís Tadeu Santos.

Segundo ele, a cada novo processo seletivo aumenta a procura, que é impulsionada em grande parte pela propaganda boca a boca. “O curso tem alta aprovação daqueles alunos realmente identificados com o campo. Principalmente, pelos encontros presenciais e visitas técnicas, onde eles têm oportunidade de ver o aprendizado acontecendo na prática”, conclui.

A participação dos sindicatos foi colocada como fundamental para a expansão da rede. “Os sindicatos precisam ser nossos parceiros, ajudar desde a mobilização dos jovens, para garantir inscrições daqueles que tem identidade com o campo,  até a busca de propriedades e agroindústrias para as aulas práticas. O curso é um excelente produto para auxiliar na empregabilidade dos jovens. Que sindicato não vai querer ter um técnico preparado para oferecer ao produtor?” Questionou Daniel Carrara ao falar sobre novos serviços que os sindicatos rurais podem oferecer para atrair associados.

Assistência Técnica e Gerencial avança

“Nosso setor é muito dinâmico, então precisamos acompanhar e ir aperfeiçoando as nossas ferramentas para também garantir mais esse serviço aos sindicatos”, afirmou o coordenador de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), Matheus Ferreira. Ele apresentou aos superintendentes do Senar o novo software, o SISATeG – Sistema de Monitoramento da Assistência Técnica, lançado durante o 3º Fórum de Assistência Técnica e Gerencial, semana passada, em Brasília.

Matheus Ferreira também anunciou que em outubro a capacitação de técnicos de campo poderá ser feita na modalidade EaD. O curso da Faculdade CNA a Distância é voltado para profissionais de ciências agrárias. “Vamos abrir o leque de oportunidades de trabalho para esses profissionais que, depois de concluírem o curso, podem se candidatar a uma vaga na Assistência Técnica do SENAR, atuar em uma empresa ou abrir uma consultoria”, explicou.

A Assistência Técnica do Senar atende, hoje, mais de 60 mil propriedades. Na Bahia, são 2.340 propriedades e em 9 cadeias produtivas, com destaque para bovinocultura de leite, cacau e caprinocultura, contou a superintendente Carine Magalhães. Ela mostrou aos colegas os resultados em algumas propriedades do semiárido baiano. No estado, a ATeG faz parte do  programa Pro-Senar. Para receber assistência técnica, o produtor precisa fazer cursos de formação profissional.

“Isso traz uma mudança na vida do produtor. Mudança comportamental, de atitude, de renda e produção. São ações do SENAR onde você mais consegue agregar os produtos, nossas ofertas e visualizar toda a mudança. É a grande mudança transformadora do campo hoje”, comemorou Carine.

“Consideramos a Assistência Técnica e Gerencial o melhor caminho para auxiliar o produtor na adaptação de suas propriedades às mudanças climáticas”, completou Matheus.

Vem aí nova etapa do Pradam

O SENAR já desenvolve programas que incentivam e treinam produtores no uso das tecnologias de baixa emissão de carbono. É o caso do ABC Cerrado, que conta com a parceria do Ministério da Agricultura, da Embrapa e com recursos do Banco Mundial.

 

“O Senar é, hoje, reconhecido como uma entidade que executa e tem condições de chegar a todos os recantos do País. Não só pelos ministérios, mas por organismos internacionais que têm recursos para investir no Brasil.  Em função do ABC Cerrado e dos bons resultados da primeira fase do Pradam, fomos convidados a participar da nova etapa”, destacou a chefe do Departamento de Educação Profissional e Promoção Social (DEPPS) Andrea Barbosa Alves.

Ela informou aos superintendentes que a nova etapa do Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas da Amazônia (Pradam) será desenvolvida até o final do ano no Acre, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará e Roraima. “Agora nós vamos fazer seminários e dias de campo em unidades de referência e queremos contar com o apoio das regionais do SENAR para mobilizar produtores nesses Estados”, explicou Andrea.

Exemplos de inovação

No encontro que reuniu os superintendentes do Senar,  também teve espaço para inovação. Duas regionais apresentaram projetos que estão desenvolvendo.

O superintendente do Senar Goiás, Antônio Carlos de Souza Lima Neto, mostrou o Desafio Agro Startup, iniciativa para fortalecer o ambiente tecnológico dentro do setor agropecuário. “Queremos envolver os jovens num contexto de novas ideias, de pensamento de soluções tecnológicas e, acima de tudo, de oportunidades de criação de negócios que possam ser utilizados pelos produtores rurais” explicou.

O Desafio Agro Startup terá uma etapa de capacitação online com foco em empreendedorismo, como desenvolver uma ideia de negócio e como criar uma startup. “Hoje temos 70 grupos do FAEG Jovem focados em empreendedorismo, sucessão familiar e formação de novas lideranças e temos a meta de chegar a 100 grupos até o final do ano. O desafio Agro Startup vem para estimular ainda mais o espírito empreendedor desses jovens”, ressaltou Antônio Carlos.

O Agri Hub, do Senar Mato Grosso, é uma rede de inovação em agricultura e pecuária, que identifica as necessidades dos produtores e os conecta a startups, mentores, empresas, pesquisadores e investidores para que encontrem soluções e as levem aos produtores.