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Reflorestar é preciso, desconhecer não é preciso!

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Nas negociações mundiais para minimizar os impactos nas mudanças climáticas, o governo brasileiro estabeleceu ações voluntárias para reduzir a emissão de gases de efeito estufa em cerca de um bilhão de toneladas de CO2 equivalentes. Para tanto, estruturou um Plano de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas, cuja meta voluntária nacional foi divulgada na COP 15 (Conferência Mundial de Mudanças Climáticas, em Copenhague- Dinamarca/2009).

Em 2010, o governo federal criou o Programa Agricultura de Baixa Emissão de Carbono-ABC, para incentivar a prática da agropecuária sustentável, estabelecendo metas com o fim de reduzir o aquecimento global e a liberação de carbono na atmosfera (redução das emissões) até o ano de 2020. Para atingi-las definiu seis linhas de ação: Recuperação de Pastagens Degradadas; Plantio Direto; Integração Lavoura, Pecuária e Floresta; Florestas Plantadas; Fixação Biológica de Nitrogênio e Tratamento de Dejetos Animais.

Reflorestar ou plantar florestas é, portanto, uma das linhas independente da família e da espécie, dentre as quais, se inclui o eucalipto. A propósito do eucalipto, prevalece para leigos ou desinformados, alguns mitos e crendices, remanescentes das décadas 60 a 70, quando os reflorestamentos não apresentaram os resultados esperados em produtividade, como: falta de pesquisa científica ( leia-se EMBRAPA); planejamento inadequado; plantio em terrenos rochosos e úmidos, além de outras tecnologias. Então, em função do desconhecimento técnico e científico, passou-se a informação de que, o eucalipto seca e empobrece o solo; gera um deserto verde e promove poucos benefícios sociais e econômicos nos municípios.

Entretanto, todas essas informações são falsas. O eucalipto retém menos água que as matas nativas que têm as copas maiores, permitindo que a água chegue ao solo mais rapidamente por ter menos folhagem, que também diminui a evaporação para a atmosfera, têm uma capacidade de absorver mais água na época das chuvas e menos na época da seca, suas raízes não ultrapassam dois metros e meio de profundidade. Portanto, não chegam aos lençóis freáticos e consome menos água que plantações de cana-de-açúcar, café,  soja, arroz e até menos do que a carne de frango e carne de boi.

Estudos recentes revelam que o eucalipto é muito eficiente no aproveitamento da água. Enquanto um litro produz 2,9 gramas de madeira, a mesma quantidade de água produz apenas 1,8 gramas de açúcar, 0,9 gramas de grãos de trigo e 0,5 gramas de grãos de feijão (fonte: IBF).

O eucalipto quase tudo que ele retira ele devolve. Após a colheita, cascas, folhas e galhos que possuem 70 por cento de nutrientes da árvore, permanecem no local e incorporam-se ao solo como matéria orgânica, além de contribuir para o controle da erosão.

Também é comum se ouvir que o eucalipto gera um deserto verde, onde nem cobra pontifica nas suas matas. Por ter de deixar parte da área da propriedade para reserva legal e área de proteção permanente, o eucalipto e os sub-bosques formam um corredor para áreas de preservação e criam um habitat para a fauna, oferecendo condições de abrigo, de alimentação e mesmo de reprodução como demonstram estudos feitos pela Klabin e  Aracruz. Está certo, que elas não abrigam uma biodiversidade tão grande como nas florestas naturais, isto é inquestionável.

Outra afirmação falsa é de que o eucalipto gera poucos benefícios sociais e econômicos nos municípios. Quando manejados de forma adequada gera benefícios como outro empreendimento rural, a começar pelo grande número de empregos diretos e indiretos tanto nos viveiros como na implantação e manutenção das florestas. Além disso, gera recolhimento de impostos, investimentos em infraestrutura, consumo de bens de produção local, fomento a diversos tipos de novos negócios e iniciativas na área social como a construção de casas, postos de saúde e escolas.

É bom  lembrar que um hectare de eucalipto consome 10 toneladas de carbono da atmosfera por ano, contribuindo para a diminuição da poluição, o aquecimento global e combatendo o efeito estufa. Em resumo, mais do que ser um negócio rentável e produtivo, as plantações de eucalipto têm cumprido seu papel fundamental de reduzir a pressão sobre as matas nativas, ainda muito usadas no consumo de carvão vegetal, móveis e madeira sólida.

Na conta dos eucaliptos, o levantamento das emissões geradas pela Suzano em 2009, mostra como a produção de papel pode capturar carbono. Enquanto cresce, a árvore retira gás carbônico do ar por meio da fotossíntese (no período são absorvidos 3,8 t de CO2). No processo de transformação da madeira em papel e no transporte da madeira e do papel, pelos caminhões, são emitidos gases, que contribuem para o aquecimento global (são emitidos 1 t de CO2), um crédito de 2,8 toneladas de carbono emprestado ao meio ambiente,  com o plantio do eucalipto.

Nos sistemas silvoagropastoris, o consórcio e a integração floresta, agricultura e pastagens, uma das linhas do Programa ABC, o eucalipto é amplamente utilizado, porque além da produção de madeira, o produtor vai promover o bem-estar animal, através do sombreamento, inclusive utilizado por agricultores familiares.

Estados como São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, apenas para citar alguns, possuem florestas de eucalipto, estados mais ricos tanto do ponto de vista financeiro, quanto técnico-científico, não se arvoraram contra esta cultura, que é exótica é verdade, mas por outro lado, dar o seu contributo, como já foi demonstrado. O Maranhão não pode ficar na contra-mão do desenvolvimento, porque a exemplo do que vem proporcionando nos outros estados, o eucalipto pode proporcionar emprego, renda e seqüestro de carbono.

 

 Luiz Coelho Júnior é Coord.  do ABC/MA/SAGRIMA