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Análise de Solo

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Engº Agrº Luiz Coelho Júnior             

Em se plantando até pode dar, mas para colher, quanto mais, melhor. Produzir com altas produtividades pode-se dizer que é o divisor de águas de qualquer atividade agropecuária. E a análise de solo é fundamental para  que o produtor consiga diagnosticar as condições de fertilidade  e obter as orientações necessárias e corretas sobre os tipos e quantidades de nutrientes que o solo vai precisar para a necessidade da cultura e dar os resultados esperados.

Através da análise identifica-se o nível de acidez ou de alcalinidade –  o Ph (Potencial Hidrogeniônico), bem como as propriedades físicas (estrutura do solo, teores de argila, salitre e areia)  e químicas de determinado solo, ou seja análise dos (macronutrientes  e micronutrientes) e  com base nos resultados, tornar possível as medidas de  correções e adubações   recomendadas e necessárias para aumentar a produtividade da cultura. Proporcionando desta maneira que o produtor evite e ou minimize despesas com calacário e fertilizantes, evitando também que o produtor plante em solo pobre.

Podem ser analisados os macro e micronutrientes, e havendo necessidade de uma análise mais completa, analisa-se os dois tipos, a denominada análise química completa. E quando a necessidade de informações não for tão grande faz-se apenas a análise química de rotina, ou seja, analisa-se apenas os macronutrientes, levando em consideração a cultura a ser implantada e o sistema de cultivo agrícola. Tanto os macro quanto os micronutrientes são elementos essenciais

para o desenvolvimento das plantas, e a deficiência de apenas um deles, pode prejudicar o seu desenvolvimento normal, sendo que os macro são absorvidos em maiores quantidades do que os micronutrientes.

           Os solos, por sua natureza são heterogêneos, apresentando grande variabilidade em suas propriedades naturais, às vezes em espaços centimétricos.E tais variações tornam-se muito mais acentuadas em solos agricultáveis, em sentidos horizontal  e vertical, respectivamente em razão da forma de adubação,  tipo de cultura e em razão das características dos elementos, do sistema de manejo e do sistema solo-planta-atmosfera.

            O rendimento de uma cultura será determinado pelo elemento presente em quantidade mais limitante no solo, ou seja, a deficiência de um nutriente não pode ser superada pelo excesso de outro nutriente. Desta forma, é necessária uma correta análise de solo, assessorada por profissional ou consultor agrícola capaz de elaborar um programa de fertilidade e nutrição direcionado para cada sistema agrícola de manejo e cultura. Pois a falta de manejo adequado pode levar à variação de qualidade do solo em uma mesma lavoura. Portanto, analisar o solo e oferecer os mecanismos necessários para sua recuperação e construção da fertilidade, é basilar para o agro e para a agricultura familiar.

            A frequência da análise  pode ser em intervalos que podem variar de um, a vários anos, dependendo da intensidade da adubação, do tipo de cultura, do número de culturas consecutivas e do sistema de manejo adotado. De uma forma geral, a recomendação técnica é fazer amostragem com maior frequência em culturas anuais  com maior pacote tecnológico, sendo conveniente analisar o solo, logo após a colheita. (Guia Rápido para Análise de Solo – Apagri).

           No Brasil, existem 13 classes de solos,  predominando os latossolos(32%), os argissolos(24%) e os neossolos(13%), que juntos totalizam 69% do território nacional, e são caracterizados pela elevada acidez, baixa soma de bases e baixa Capacidade de Troca de Cátions( Fidalgo, et al., 2007). Significa dizer que praticamente 70% dos solos do Brasil demandam grandes quantidades de calcários e de adubos para satisfazer as necessidades das plantas ( Embrapa Cruz das Almas).

No Maranhão, não é diferente e com uma agravante, além de não existir um Programa Estadual de Análise e Conservação do Solo, como tem no RS, PR e SC (apenas para citar 03 exemplos), nossos produtores, especialmente os pequenos e médios, não tem a oportunidade e o cuidado de fazer Análise de Solo. Mas o Sebrae têm, e o Sindicato Rural de Mirador, lançou o Programa Análise de Solo em parceria com o Sebrae, onde a parceria vai bancar 80% (70% Sebrae e 10% Sindicato), cabendo ao produtor apenas 20% dos custos da análise química e física do solo.

 São Luís,  maio de 2022

 Fórum N-NE Biogás/MA, Presidente do SindRural Mirador.